segunda-feira, 12 de agosto de 2019

HQ: Demolidor - AMOR E GUERRA


“Eu ergui um império sobre o pecado. Sou temido por homens honestos ou corruptos. Minhas ordens são prontamente acatadas por chefes de estado eleitos e por cafetões e traficantes desprezíveis. Tenho tudo o que desejei… tudo que desejei… até encontrar você…” - Wilson Fisk. 

Amor e Guerra, só pelo o Experimentalismo e Narrativa Gráfica de Bill Sienkiewicz, já pode sim ser considerado um clássico do personagem, O Demolidor. Uma aula de como sair fora da caixa, quando o assunto é Super-Herois. 

Com um plot simples, Frank Miller apresenta um pouco da intimidade (Sentimentos) de Wilson Fisk (o Rei do Crime). Um argumento que nos faz refletir sobre as nossas buscas (obsessões) e não-satisfações, pois somos uma espécie que nunca estamos satisfeitas com o que possuímos.

Meu destaque aqui, além da arte (Bill Sienkiewicz), vai para o perturbado personagem (Victor), uma “Esquizofrenia” e ruído mental, um psicopata que converte e retrata uma sociedade doente e traiçoeira (a Nossa). 

Com essa edição (Formato álbum Europeu), nossa experiência é elevada a outro nível, uma hipnose que vai se graduando a cada nova virada de página - Sensacional.

HQ: OS MITOS DE CTHULHU

É sempre uma experiência ímpar ter a oportunidade de adentrar no “Mundo de sensações inclassificáveis” que é a obra de H.P Lovecraft. E quando uma lenda dos quadrinhos tenta decifrar (nem que seja por 3 contos apenas) esse emaranhado profundo, isso aqui virar um verdadeiro artefato Cósmico. 

O espanhol Esteban Maroto (Roteiro e Desenho) faz um trabalho incrível em os MITOS DE CTHULHU e sua chave para a loucura (o livro Necronomicon). O seu traço em Preto e Branco nos dar vários golpes, nos leva a várias bifurcações em formas de “Irreal”, pesadelos que florescem a cada nova folheada. 

O desconforto do desconhecido, por muitas vezes ficamos perdidos em tentar compreender o significado dos contos de Lovecraft, Eu por sí já penso em desfrutar desse “Desconforto”, navegar por esse medo indizível onde a insanidade faz parte da Experiência.

Espero que esse quadrinho possa servir de entrada para novos leitores que ainda não conhecem a obra de H. P. Lovecraft - Onde isso se torne um ciclo de bons costumes, no casamento de Quadrinhos e livros - Excelente oportunidade assinada por Esteban Maroto - Leitura Cósmica e altamente recomendada.

HQ: Cavaleiros da Justiça


Mais uma história divertida e interessante do selo “ElseWorlds” do universo DC-Comics. Com uma dupla criativa de altíssimo nível, temos o clássico Chuck Dixon nos argumentos e a arte cósmica fica por conta de John Williams III.

O clima do “Velho Oeste” é resgatado de maneira ímpar nesta aventura da Liga da Justiça. É notável o carinho que Chuck D. tem com o roteiro e a construção dos personagens, os mesmos liderado por Diana (Mulher Maravilha). 

Para você que aprecia o gênero “Western” no cinema, vai ser de uma experiência e degustação prazerosa, pois toda a ambientação e atmosfera desse meio é caracterizada belissimamente nessa aventura. 

Os “Poderes” e rajadas cósmicas são substituídas por pistolas e coldres cheios de balas. Em uma trama que vai do oeste clássico a pitadas de “CyberPunk” - A chegada das ferrovias, industrialização e escravidão estão como plano de fundo desse excelente artefato quadrinistico.

Filme: Maníacos (Herschell Gordon Lewis, 1964)

Um clássico do cinema horror/trash, Maníacos vem pra somar mais uma dose de loucura inesquecível, bizarra e cômica na história do cinema de terror. Pois o termo “Underground” não seria o mesmo se não fosse por Herschell Gordon Lewis, o pai do cinema Gore.

Uma cidadezinha pacata e estranha, típica de qualquer outro interior, recheada de gente mais estranha ainda, parecendo um “Halloween” fora de época. O cinema trash tem seu charme. 

O cinema do insano diretor Herschell é ousadia pura, uma atitude pré Punk para sua época. Assim como a grande maioria dos filmes do gênero, temos uma mensagem crítica como plano de fundo, a tal “Guerra de Secessão (dos EUA)”, o que faz de Maníacos ser um reflexo sobre vingança e conflitos ideológicos, mas claro, dentro da proposta maluca do diretor.

HQ: Batman / Juiz Dredd - Morra Sorrindo

“Foi previsto que, algum dia, o Cavaleiro das Trevas salvaria Mega City, a cidade do Juiz Dredd - esse dia chegou”

Os loucos anos 90 nos doava esse tipo de oportunidade, jogava em nossa imaginação: Batman e Juiz Dredd compartilhando de uma mesma Aventura, aqui o negócio é psicodélico e com viagens no tempo. 

Toda a loucura acumulada só é possível por causa do excelente roteiro de Alan Grant & John Wagner e da narrativa gráfica de Glenn Fabry e Jim Murray - Mega City Um e Gotham City têm algo em comum, ambas estão infestados de Criminosos e lunáticos imundos. 

Aqui talvez temos uma das maiores atuações do Coringa e sua mente doentia - há procura da imortalidade, um teletransporte até Mega City, para libertar os Juízes negros, ambos têm a formular para o apocalipse e para a tal “Imortalidade”. 

Repleto de críticas sociais, políticas, aos cultos e aos pecados (Em uma sociedade Hedonista), sem nenhuma brecha de dúvida, um dos maiores Crossovers da cultura pop - Diversão garantida.

HQ: Batman - Gotham Noir

Gotham City está infestada de Gangsters, porém, o foco principal do excelente roteiro de Ed Brubaker é a linha do tempo do comissário Gordon. Um passado cheio de cicatrizes abertas. 

O estado decadente de Gordon tem vários reflexos de uma realidade “Sitiada” pela máfia, traumas de guerra e corrupção. Uma Gotham City pós-guerra que imagina o Batman apenas como uma alucinação, uma lenda urbana. 

Brubaker explora outros pontos de vista (e porquês), se aprofunda e apresenta uma maior abordagem há um dos personagens mais interessantes do universo do Homem-Morcego 

Mais uma excelente história do selo “Elso Worlds” que chegou por terras brasilis no ano de 2001. Indicados não só para os fãs do Morcego, mas para apreciadores de boas histórias.

Livro: Eu, Robô (Isaac Asimov)

Lê Isaac Asimov é de uma experiência ímpar, é como se nossos sentidos fossem absorvidos por um microchip de novos sentidos e pertencer a uma nova realidade. 

Eu Robô, um dos livros mais conhecidos do autor, reúne nove contos sobre um cotidiano no qual os “Robôs” fazem parte. As ideias de Asimov traduz um contorno “Psicológico & Filosófico” a partir de nossa convivência com essa tal de “Inteligência Artificial”. 

Escrito originalmente em 1950, temos vários tópicos que viriam a se transformar em conflitos “existências” no nosso atual momento (Séc. XXI). 

Eu, Robô é um marco do gênero da ficção científica (Literária), uma “Profecia” de comportamento e sociedade de duas espécies complexas, e Isaac Asimov crava tudo isso como um Chip em nosso cérebro

Filme: Mal Nosso (Samuel Gali, 2017)

Se você é um daqueles que acreditam no ditado “Aqui se faz, aqui se paga” - Talvez o Mal Nosso venha a borbulhar o seu cérebro. 

Com um excelente roteiro, damos uma passada na “deep web” para contratar um serial killer, a partir daí já estamos nos indagando aonde toda essa insanidade vai nos levar. 

O Mal Nosso é mais um pérola atual do cinema nacional, o gênero Terror das terras brasilis respira muito bem com bons títulos que vem saindo nos últimos anos - e claro, o Sertão Cósmico vai vasculhar e indicar tais experiências - fique na espreita.

Filme: Rashomon (Akira Kurosawa, 1950)


Quantas versões tem uma história? E qual é o seu esclarecimento? 

Quando o assunto é nona arte, Akira Kurosawa é sinônima de maestria, seu cinema é sempre hipnotizante, percorrido por sua fotografia, roteiro e ambientação. Rashomon consegue encantar aos nossos sentidos, um roteiro que encapsula vários elementos que nos colocar em uma encruzilhada. 

Enquanto vários pontos de vista vão sendo descritos após um assassinato, temos diálogos que refletem o mal interior, e nós como plateia somos uma espécie de “Júri“. 

Será que somos egoístas e desonestos por natureza? 

Uma história que conduz aos extremos, do mal a esperança - Kurosawa deixou em Rashomon um Legado inesquecível sobre como somos “errantes” e sensíveis as regras que na grande maioria das vezes, não temos a capacidade para cumprir.

Livro: Meninos em Fúria (Marcelo Rubens Paiva, Clemente Tadeu Nascimento).

“O Rock não morre. O punk não morre. E não morrerá enquanto existir fúria.”

A partir da leitura de Meninos em Fúria, podemos conhecer um pouco do nosso Brasil a partir da visão de garotos que não se conformavam com o que era exposto ou implantado pelo o sistema na época. Estamos no final dos anos 70 - início dos 80.

O argumento em Meninos em Fúria tem camadas políticas e sociológicas, todo aquele caos e discurso “Ditatorial” fez nascer o que pra muitos foi (é), o movimento musical mais interessante da história desse país – O Punk Rock.

Seguimos os perrengues da banda Inocentes com relatos da lenda Clemente, ícone do movimento Punk. Points, gangues e discórdias enlaçaram esse relacionamento e atitude por muitas vezes “Juvenil” porém, “Necessária”.

O 3º mundo Brasil é e sempre será o Caos, cenário perfeito para o nascimento de revoltas e resistências. A esperança são lapsos de alegria, que assim como o Punk germinaram para contrastar e incomodar as mentes mais puras da utopia que escava o Brasil na época. O Punk foi o nosso Super-Homem.

HQ: Creepyshow

Em Creepyshow temos um projeto que reúne boas ideias de personalidades do terror/horror americano como Stephen King (Roteiro), Bernie Wrightson (Desenhos) e direção de George A. Romero quando o mesmo foi levado ao Cinema, intitulado Creepyshow: Arrepio do Medo (1982).

Uma bela homenagem aos quadrinhos de terror da EC Comics que eram bastante populares nos anos 50 / 60 / 70 - que claro, serviu como influência para esses adentrarem e expandir suas interpretações e entretenimento sobre o assunto. 

5 contos que possuem plots simples e carregados de humor negro, nas entre-linhas, muito sarcasmo, vingança, inveja e costumes nada “racionais”. Para os fãs do gênero um belíssimo resgate que vale a pena tirar as teias da aranha do cérebro e conferir.

Filme: Pink Flamingos (John Waters, 1974)

“Que comece a Batalha da Podridão!!”

Pink Flamingos parece ter uma cultura própria, assim como o cinema (Filmografia) do lunático diretor John Waters. 

Uma competição social de Erotismos, contracultura, geração perdida e realidades destruídas - Talvez o certo e errado seja apenas um ponto de vista, bifurcações vazias e doentes. O roteiro parte para um libido em atrocidades indizíveis, um fascinante cinema pós alternativo. 

“Você não é a pessoa viva mais podre. Nós somos.”

Ao longo dessa experiência, fiquei perdido várias vezes me perguntando: “O que Eu estou fazendo com a minha Vida?” - E que trilha sonora é essa? Fantástica - Experienciar Pink Flamingos é sair da sua zona de conforto e não retornar Jamais. Uma realidade sem máscaras, uma consciência selvagem.

Filme: Aniversário Macabro (Wes Craven, 1972)

Antes de Massacre da Serra Elétrica (74) esmagar nossas entranhas, Wes Craven embrulha uma das películas mais cruas da história da sétima arte - Em Aniversário Macabro a realidade é covarde, uma pulsação fria que joga o tal sonho Americano em um bueiro febril.

Uma cria de Psicopatas que reflete um cotidiano inflamado e traiçoeiro. A inocência é esmagada, pisoteada por um instinto de irracionalidade humana e sadismo diabólico. 

Talvez a maior qualidade em Aniversário Macabro seja o seu clima amador (de baixo orçamento), isso faz com que o filme reflita a nossa realidade de maneira crua, pois algumas cenas chegam a chocar - Tive alguns problemas com sua trilha sonora, porém, isso não atrapalha a sua experiência. 

Não temos um final feliz, aqui o mal venceu - ele conseguiu transferir o ódio, o medo, a desesperança e o pessimismo para todos nós telespectadores de plantão - lá fora o mundo grita, pois o Ser Humano ainda habita nele.

Filme: Desejo de Matar (Michael Winner, 1974)

Sabe aquele filme do Batman que não tem o Batman? Pois é, Desejo de Matar (1974) é uma realidade alternativa que tem motivações psicológicas e sociais em paralelo com as de Bruce Wayne. 

Metrópole violenta, vivendo no inferno.

Vocês podem me chamar de louco, mas pra mim, Desejo de Matar do imortal Charles Bronson é um “ElseWorld” do Batman. Uma visão alternativa sem capa do personagem. 

A suja, caótica e traiçoeira Gotham City (Nova York) é perfeitamente representada - O arquiteto Charles Bronson teve um dia ruim, a realidade arrancou sua esperança (o Corrompeu). 

A crítica e necessidade de mais vigilantes em uma cidade que está afundando na violência é nítida - paranoias e alta tensão vai nos levando para um desfecho interessante. Excelente revisitada a essa obra que estava esquecida em meu subconsciente, valeu a pena Charles Bronson (eu te entendo).

Filme: Horror Hotel (John LLewellyn Moxey, 1960)


Com um belo texto (Roteiro) e com participação do lendário Christopher Lee, Horror Hotel é imperdível para os fãs do gênero: Bruxaria e blasfêmias constroem uma amaldiçoada trajetória para tentarmos entender um pouco mais sobre toda a lenda e pactos que aconteceu no cenário da inquisição contra as Bruxas do Séc.XVII. 

1692. Whitewood está condenada, a fé foi embora logo após queimarem Elizabeth Selwyn que condenou e rogou uma praga nessa vila. Sua ambientação e fotografia (em Preto & Branco) dita um vislumbre inesquecível, de uma atmosfera hipnotizante. Sua 1 hora e 10 passa num piscar de olhos, simples e direto - Mais do que recomendado, mais do que desenterrado - grande clássico perdido do cinema britânico.

Filme: Exército de Frankenstein (Richard Raaphorst, 2013)

 Uma das maiores loucuras da última década vem embrulhada de Cinema “Found Footage”, Exército de Frankenstein perfura nosso cérebro com sua mensagem atemporal sobre a loucura da Guerra e toda a carnificina irracional presente em tais conceitos. 

O cinema “Found Footage” tem seu charme, e aqui temos um bom registro desse ‘subgênero’ muitas vezes engessado (com infinitas produções que saem a rodo todo ano), fazendo você explorar (selecionar), salvando-se poucos títulos (acima da média).

Marionetes do apocalipse, metade comunista, metade nazismo, o mesmo lado da mesma moeda - para quem vai a sua torcida? -- Somos Doentes. 

Com um belo texto e conceitos bizarros e reais (por que não?), a direção de arte é excelente - “Divertimento” garantido melado a graxa - Em busca da arma perfeita e gambiarras mecânicas do mal, não tem erro, isso aqui é um experimento “megaloWatsFoda”. 

Uma doença que não pode ser curado, somos todos loucos, e estamos soltos.

HQ: Demolidor - AMOR E GUERRA

“Eu ergui um império sobre o pecado. Sou temido por homens honestos ou corruptos. Minhas ordens são prontamente acatadas por chefes de ...